quinta-feira, 26 de março de 2009

O Problema do Brasil

O problema do Brasil, acreditem vocês é o brasileiro. É, pessoas assim como eu e você. Vejam só, reclamamos de tudo e de todos e pouco fazemos pra mudar a situação. Eu me lembro de quando tinha uns 8 ou 9 anos e o Collor sofreu o Impeachment e o Brasil parou diante do movimento dos cara pintada. Hoje lá está o Collor novamente em Brasília, ocupando importante cargo. Quem colocou ele lá? A memória curta do brasileiro. Isso é só um exemplo mais famoso, mas não único. As câmaras país afora estão cheias de políticos desonestos, que já pintaram e bordaram com a população, muitos até condenados. Todos de volta com o perdão dos eleitores. Aqui eu pergunto: quando a justiça condena, o que é raro por aqui também, adianta alguma coisa? De que adianta uma condenação se o povo, maior interessado, absolve? E depois a gente reclama que falta médico, falta transporte, falta isso e falta aquilo. Falta mesmo é vergonha na cara. Na nossa cara. Eu não falo mais nada. Deixa eu trabalhar agora.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Bons Amigos

Quando vim morar em São João (SJ) em 2004 nunca pensei em gostar do lugar, afinal, cidade pequena, aparentemente sem muito o que fazer. Cinco anos depois, vejam só, fiz de tudo pra conseguir um motivo pra permanecer em SJ e consegui um mestrado. Bom no lado profissional e bom no pessoal também. Eu gosto de SJ pelo conjunto da obra. Por tudo ser perto, por poder ir a pé, por sair com cinco reais no bolso e ainda assim me divertir. Gosto daqui pq aqui o telefone toca e do nada se arruma o que fazer. Gosto da companhia dos amigos, as vezes penso não precisar de mais nada. Meus amigos, só preciso da presença de vcs, seja aqui ou na medíocre cidade de Betim. Talvez não seja a cidade, talvez sejam as pessoas, não dá pra saber. O fato é que aqui fiz muitas amizades, conheci pessoas que jamais sairão da memória e, espero, do convívio também. Não que os antigos amigos não sejam importantes, pelo contrário, alguns são praticamente irmãos, mas SJ me fez uma pessoa melhor. Sou grato por isso.

"Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir. Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende. Amigo a gente sente! Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar. Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende. Amigo a gente entende! Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar. Porque amigo sofre e chora. Amigo não tem hora pra consolar! Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade. Porque amigo é a direção. Amigo é a base quando falta o chão! Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros. Porque amigos são herdeiros da real sagacidade. Ter amigos é a melhor cumplicidade! Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!"
Machado de Assis

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

À Família da Dança

Hoje vou falar um pouco sobre o que tem me deixado mais feliz: a dança. É isso mesmo, a dança. Eu que não sabia dançar agora estou até escrevendo sobre a dança. Não sabia dançar não, eu era uma alavanca. Quanta evolução.
Antes de começar a dançar eu era outra pessoa. Andava sério, pra baixo, achava tudo sem graça, queria mesmo era terminar minha faculdade e sumir deste lugar. Estava cansado da rotina, da falta de ação. Pra mim todos os dias eram nublados.
Eis que assim foi, cinzento, até junho de 2008. Foi então que minha amiga Renata me perguntou: "Você não quer fazer aula de dança?" Sem dúvida esse dia mudou minha vida. Nesse dia conheci outras duas pessoas incríveis: o PC e a Edna. Essas pessoas me deram uma bolsa em sua escola de dança. Vejam bem, eu que era uma alavanca, agora era bolsista de uma escola de dança. Nossa será que vou dar conta? Hoje estou na cia de dança. Como me sinto honrado e privilegiado por isso.
Por falar em cia de dança, devo a ela os melhores momentos que tenho vivido. Impossível esquecer do clima descontraído das aulas, da alegria dos bailinhos, das amizades conquistadas. Amizades apenas não. É mais que isso. É uma família. Se passei em um mestrado, se decidi ficar em São João, foi com certeza, motivado pela família da dança, por todas as pessoas incríveis que lá conheci.
Outro dia estava olhando meu orkut e observei que a sorte do dia era: "a dança é a linguagem oculta da alma". Vejam só que frase. Pra mim tem todo sentido. Depois que conheci essas pessoas especiais pareço ter uma nova alma. Uma alma alegre, que muitas vezes parece não caber em mim. Uma alma que já não é oculta. Eu que não sabia o que era dois pra lá dois pra cá participei de um espetáculo de dança, quanta evolução, quanta gratidão pela confiança em mim depositada. Como é bom acordar de manhã sabendo que vou encontrar amigos que me receberão com um abraço e um sorriso.
Eu que não sabia dançar agora sou um viciado. Não consigo passar uma semana sem praticar, sem encontrar a família. Parece me faltar um pedaço.
Inesquecíveis os finais de semana onde de repente alguém inventa de reunir a turma pra dançar. Qualquer lugar serve. Uma varanda, uma sala vazia, o meio da rua. Pouco importa o lugar, o que importa são as pessoas que lá estarão. Sempre dispostas a mais um passo.
Não há como citar todos aqui. Não me perdoaria se esquecesse de falar de alguém. Então, digo a todos vocês: obrigado! Obrigado pelo companheirismo, pela atenção, dedicação, confiança. Obrigado pela amizade, pelas festas, pelos almoços e churrascos, pela panfletagem no sinal, enfim obrigado por me receberem nessa família.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Ventura

Eu já não quero mais ser um vencedor. Quero a sina de um artista de cinema, a cena onde eu possa brilhar. Um brilho intenso. Um beijo imenso onde eu possa me afogar. Cansei de procurar o pouco que sobrou. Sigo assim, fazendo o melhor que sou capaz, tentando viver em paz.
De onde vem essa calma se não há sequer um par pra dividir? O que me sobra além das coisas casuais?
Eu encontrei. Quis duvidar, afinal, tanto clichê devia não ser. É. Até quem me vê lendo o jornal sabe que eu te encontrei. Quem é mais sentimental que eu? Moça, diz pra mim como vai você. Diz o que é o sufoco, pois se o tempo for te levar, eu pego carona pra te acompanhar. Se o caso for de ir à praia, eu levo essa casa numa sacola.
Não devia me preocupar, devia ter fé e ver coragem no amor. Ser o primeiro, ser um rei, querer um sonho... moça...donzela... mulher... dama... ilusão ...
É duro, mas vale tentar. Exibir à frente um coração que não divido com ninguém. Parar de tentar viver o cara da TV, já que assim, periga nunca me encontrar, nunca perceber que fujo sempre do lugar. Chega de talhar como um artesão a imagem de um rapaz de bem, chega de não ser mais viril, de fingir esse jeito tão sem defeito, de sorrir assim, tão impreciso. A vida vai seguir e ninguém vai reparar, pois faz parte desse jogo dizer ao mundo todo que só conheço o meu quinhão ruim. Talvez seja a solução de quem não quer perder aquilo que já tem e fecha a mão para o que há de vir.
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida, abra a janela, deixa que o sol te veja. Abre as cortinas pra mim, deixa eu decidir se é cedo ou tarde. Pense que a estrada vai além do que se vê. Deixa eu ir aí te ver. É bom te ver sorrir olhando pra mim. Não solta da minha mão... não solta da minha mão.
Eles têm razão quando vêm dizer que eu não sei medir nem tempo e nem medo, mas se o que eu sou é também o que eu escolhi ser, aceito a condição.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Cerveja - Latuya

Bom pessoal, nesses últmos dias não consegui escrever nada interessante. Preciso encontrar um bom tema, preciso de inspiração. Resolvi então postar essa letra da música Cerveja, da banda Latuya. Era isso o que eu gostaria de escrever, se minha habilidade com as palavras não fosse limitada a relatórios técnicos.
"Tento parecer assim tão à vontade
tomando uma cerveja só pra disfarçar
não vou me aventurar assim tão sóbrio
Trago nos meus bolsos alguns versos que eu fiz
naquele dia em que te vi chorar
tentei me aproximar dizer sinceramente
Vem derramar
em meu peito todo o pranto
da amargura que outro lhe deixou
E foi você chegando logo percebi
teu jeito leve de se aproximar
pensei até fugir me esconder
Olá que bom você aqui não tem mais jeito
é tão difícil de te encarar
pensar palavras pra dizer assim de frente
Vem me beijar
que eu te quero tanto, tanto
desse jeito tão bom é ver você..."

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

O Fudido Não Tem Vez

No início de dezembro estava eu participando do 3º Congresso Mundial de Engenheiros em Brasília e, enquanto aguardava a chegada de nosso presidente Lula para o discurso de abertura, assistia a um documentário sobre a vida e a obra de Oscar Niemayer.
Entre um cochilo e outro na platéia, afinal nosso excelentíssimo presidente atrasou duas horas, conheci um pouco da história das obras desse grande nome da arquitetura brasileira. Mas não é sobre isso que quero falar. Deixo as conclusões sobre o talento de Niemayer para cada um de vocês.
Dentre as inúmeras frases de Niemayer no documentário, essa me chamou a atenção: “O fudido não tem vez”. Niemayer disse isso se referindo ao fato de que somente os ricos usufruem os benefícios da arquitetura. De fato, isso verdade.
O que chamou minha atenção foi saber que essa frase está na mesa de trabalho do ilustre arquiteto. Ora essa, Niemayer não é um comunista convicto? Não é contraditório uma frase dessas na mesa de um comunista? Talvez seja esse um dos motivos pelos quais o comunismo não deu certo. Seus maiores defensores concordam que é impossível beneficiar a todos.
Em parte, concordo com a frase. Digo em parte, porque realmente só quem tem condições de aproveitar-se da arquitetura é a elite econômica, ou o Estado. Por outro lado, em outras áreas, o fudido só não terá vez se pensar e agir como um fudido. No mesmo Congresso, assisti uma palestra com um dos líderes comunitários do Conjunto Palmeiras, um bairro da periferia de Fortaleza. Na época em que o bairro foi fundado, era o lugar mais fudido que já vi na vida. Hoje, o bairro é urbanizado, tem várias lojas, pequenas indústrias, fábrica de roupas e acreditem vocês, um banco e uma moeda próprios. Benefícios concedidos pelo governo? Não meus amigos. Tudo construído pelos próprios moradores do Conjunto Palmeiras. Eles não pensam como fudidos. Eles agora têm vez.
Posso então dizer que se pode ser grande, desde que se pense grande. O fudido se contenta com pouco, vota no “rouba mas faz”, se satisfaz com discursos, em apenas admirar o que é belo, em deixar a garota na porta de casa, em não correr riscos. Só se mantém fudido quem pensa como fudido. Vide Conjunto Palmeiras.